A estreia do Uruguai na Copa do Mundo de 2026 tem um componente que o mercado parece estar subestimando: o impacto das ausências de Ronald Araújo, De Arrascaeta e, muito provavelmente, de José María Giménez. A casa de apostas trata o celeste como franco favorito e abre margem para uma partida com mais de três gols, mas a realidade dos últimos jogos e a forma atual das duas seleções apontam para um caminho diferente.
Uruguai desfalcado, criação capenga
O Uruguai de Marcelo Bielsa chega com a fama de time intenso, que pressiona alto e ataca com muitos jogadores. Só que, sem De Arrascaeta, o setor de criação perde seu principal articulador entre as linhas. Nos amistosos recentes, a Celeste já mostrava dificuldade para furar blocos baixos — os 0 a 0 com Argélia e México e o 1 a 1 com a Inglaterra, este vindo de um pênalti nos acréscimos, são sintomas claros.
Na defesa, a situação não é melhor. Ronald Araújo, o melhor zagueiro da equipe para correr atrás e cobrir espaços na linha alta, está fora. Giménez é dúvida e, tudo indica, não começa jogando. Com Sebastián Cáceres e Mathías Olivera ou Santiago Bueno na zaga, a proteção à frente de Muslera perde referência e velocidade. Um ponto que pode até gerar oportunidades para a Arábia Saudita nos contra-ataques.
Arábia Saudita compacta e sem medo
Do outro lado, a Arábia Saudita de Hervé Renard — ops, de Roberto Donis — mostrou evolução defensiva no último amistoso. O 0 a 0 com Senegal, nos Estados Unidos, foi um ensaio de disciplina tática e paciência. Donis já disse que a equipe não está ali para se defender e esperar, mas a prática contra um adversário que pressiona tende a ser mais reativa.
O time saudita tem velocidade nos lados com Salem Al-Dawsari e Saud Abdulhamid, e Firas Al-Buraikan é uma referência capaz de segurar a bola e ganhar faltas. Se o Uruguai deixar espaços nas costas dos laterais — o que é comum no estilo Bielsa — a Arábia Saudita pode até assustar. Mas, para isso, precisa sobreviver à pressão inicial.
Frio da Copa, calor em Miami
Outro fator que joga a favor do Under 2,5 é o clima. A partida será em Miami, às 19h no horário de Brasília, com calor e umidade típicos do verão da Flórida. O próprio Donis mencionou que o calor pode ajudar os sauditas, mais acostumados a jogar em altas temperaturas. Bielsa, por sua vez, minimizou o assunto. Mas jogos de estreia em Copas costumam ser tensos, com pouca fluência — e o calor só aumenta a chance de um ritmo mais cadenciado.
A soma de fatores é clara: Uruguai sem seu principal criador e com a zaga desfalcada; Arábia Saudita mais organizada e motivada; dois times que vão querer começar com um resultado positivo, mas sem ritmo de jogo para uma goleada. O placar mais provável fica entre 1 a 0 e 2 a 0, ou mesmo um 1 a 1 com chances para ambos os lados.





