O bicho vai pegar na abertura do Grupo H da Copa do Mundo, mas quem está esperando um verdadeiro massacre uruguaio pode ir tirando o cavalinho da chuva. O mercado está cego pela camisa pesada da Celeste e pelo estilo elétrico de Marcelo Bielsa, ignorando completamente os detalhes que transformam o gramado em uma verdadeira armadilha. A Arábia Saudita sabe jogar o torneio, já chocou o planeta em 2022 e entra em campo mordida para não repetir o erro de cair na fase de grupos. O cenário deste confronto não grita goleada, grita sobrevivência pura e muito suor.
O forno de Miami e a pane criativa da Celeste
O grande erro das linhas de apostas aqui é olhar só para a prancheta tática e ignorar solenemente o termômetro. Meu amigo, jogar na Flórida, encarando um calor sufocante e uma umidade absurda, vai cobrar uma conta caríssima das pernas. Bielsa exige um futebol de intensidade maluca, de morder o calcanhar do adversário o tempo todo. Porém, tentar sustentar esse pressing psicopata dentro de uma estufa resulta numa quebra física mais do que previsível.
Para piorar o drama ofensivo, o Uruguai entra em campo castigado por desfalques insubstituíveis. Além da defesa chorar a falta de Ronald Araújo, a grande bronca está no meio-campo. Sem o genial De Arrascaeta, a Celeste perde aquela chave mágica capaz de abrir zagas trancadas, virando um time mecânico e previsível de chuveirinho e correria. É só observar o que aconteceu recentemente: quando pegaram seleções fechadas, bateram cabeça no muro, engolindo empates amarrados em 0 a 0 contra México e Argélia.
Ferrolho árabe e o balde de gelo na partida
Do outro lado, o técnico da seleção asiática já entendeu a pedreira e arrumou a casinha. Pode apagar da memória aquela Arábia Saudita exposta que tomou pancada do Egito em março. O amistoso antes da Copa contra o fortíssimo time de Senegal mostrou uma mudança de postura absurda. Eles souberam jogar sob pressão, garantiram um magro 0 a 0 e provaram que sabem montar um bloco defensivo compacto e muito chato de ser quebrado.
Os sauditas estão cientes de que o Uruguai vai tentar empurrar o jogo para a própria área desde o apito inicial. A resposta será mastigar a bola, encurtar as linhas, picotar as jogadas e deixar o adversário cozinhar no nervosismo e no clima abafado. Até dava para paquerar um handicap esticado para a Arábia, já que um passeio uruguaio soa como miragem hoje. Mas a leitura mais letal aqui ataca diretamente os gols. Se o Uruguai tiver que arrancar uma vitória na base da força e fechar um magro 1 a 0 ou 2 a 0, não importa: nosso bilhete bate de qualquer jeito.





